Archive for the ‘Memorial’ Category

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Memorial

novembro 30, 2008

Quem somos nós?

*Edcleuza Santos – 23 anos, natural de Cachoeira-Ba, se mudou para a cidade de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. Após concluir o segundo grau em escola pública, conseguiu uma bolsa para estudar o nível superior em uma instituição de ensino particular. É funcionária de uma franquia da EF International, empresa que realiza cursos de idiomas e intercâmbio no exterior, e pretende participar de um dos programas da empresa, chamado au pair a partir de junho de 2009. E que  ao voltar para seu país pretende exercer a sua profissão.

Características: Caçula do grupo, extrovertida e calma. 

*Rosana Soares – Natural de São Paulo, 25 anos, foi morar no interior da Bahia em 1992. Em 1996 mudou-se para Salvador para tentar um futuro melhor. Estudou do pré-escolar até o ensino médio em escolas públicas e concluiu o curso técnico de Turismo e Hospitalidade no CEFET-BA em Salvador.Iniciou o curso de Comunicação Social – Jornalismo em 2005 e pretende concluí-lo com êxito. Atualmente faz estágio no departamento de comunicação de uma entidade sindical e pretende ser uma jornalista de sucesso.

Características: Perfeccionista, personalidade marcante e crítica. 

*Rose Celi – Nascida em Salvador, em 04 de abril de 1982, sempre estudou em escola pública e agarrou com força a oportunidade de conseguir uma bolsa de estudos em uma faculdade particular. Filha de pais separados desde os 12 anos, procura ver sempre o lado positivo das coisas, mesmo que elas estejam bem difíceis. Temente a Deus, acredita que todas as coisas cooperam para aqueles que esperam nEle, e é isso que ela faz. Sempre sonhou em ser escritora e ainda pretende publicar vários romances. Dedicada, esforçada, amiga e simpática, quer ser mais extrovertida. Espera ansiosa o momento de assinar como profissional e pôr em prática o que aprendeu nos estágios. Um sonho a ser realizado.

Características: Sensível, sonhadora e “diva” do grupo. 
 
 
 

PPTCC – Período Pré TCC

O tempo para confeccionar o nosso TCC foi apenas um semestre, mas há alguns meses antes do término do sétimo semestre pensamos no que faríamos, questão que foi respondida e, contudo, modificada a cada novo semestre.

Após definir o quê seria feito – a exposição fotográfica – faltava apenas a definição do tema da exposição. A princípio pensamos na Imigração Japonesa, mas como os festejos seriam em Julho (período em que estávamos de férias e “destreinadas” da fotografia) vimos a impossibilidade de realização do mesmo.

Sendo assim, colocamos o “tico e teco” pra funcionar. Após pensar e repensar, optamos por fazer uma exposição que mostrasse as diferenças e as semelhanças entre os bairros da Liberdade de Salvador e de São Paulo, ou seja, um contraponto das culturas japonesa e africana, resgatando a história de cada bairro, a imigração destas etnias e suas culturas, bem como a rotina de vida atual. Intitulamos o nosso TCC, devido à naturalidade das componentes do grupo, de “A minha e a sua Liberdade”. 

As reuniões – da teoria à prática

Finalmente definido nosso tema em 03/06/2008, em uma reunião com muita reflexão e debate, partimos para o que seria a ponta, aliás, ponta não, centímetro do iceberg que estávamos para enfrentar!

Fizemos o anteprojeto e torcemos para que o Profº Léo Azevedo aceitasse ser o nosso orientador. Conseguido estes feitos, nos reunimos para estudar a bibliografia recomendada pelo orientador e para iniciar o nosso memorial.

Antes de sair para fotografar a Liberdade de Salvador, fomos ao Festival do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, realizada nos dias 29 e 31 de agosto, no Parque de Exposições da capital baiana. Lá tiramos algumas fotos para treinar o nosso foco, nos adaptarmos com a máquina, ver como funcionava a ASA do filme no escuro, na claridade, nos movimentos, etc. A ansiedade foi tamanha que as fotos da sexta-feira, nós levamos no dia seguinte para o orientador dar uma olhada e nos dar mais dicas.  

Até a nossa primeira saída para fotografar a Liberdade de Salvador foram realizadas mais de 15 reuniões. Decidimos neste dia visitar apenas a Feira do Japão, visto que ainda não tínhamos uma data certa para a viagem à São Paulo e seria bom ter um parâmetro para fotografar a outra cidade.

Foi um dia muito chuvoso, mas nem por isso sem resultados positivos. Conseguimos boas imagens e ficamos satisfeitas com o resultado pelo fato de que conseguimos transmitir em fotos uma pequena parte da rotina de uma feira livre.

Depois, fomos agendar a viagem para São Paulo. Os preços das passagens não baixavam de jeito algum, o que foi um ponto positivo, pois caso tivéssemos comprado antecipadamente perderíamos uma passagem doada. Fato este que diminuiu um pouco nossos gastos neste TCC. Traduzindo: há males que vêm para o bem.

Conseguimos a liberação de uma das componentes do grupo para a viagem na véspera do embarque. Foram momentos de muita tensão porque até algumas horas do vôo, ela não tinha conseguido um lugar para se hospedar. Mas graças a Deus, pouco tempo antes de partir, conseguiu falar e acertar com pessoas conhecidas em São Paulo, e melhor ainda, com ascendência japonesa.

Ufa! Com mais uma etapa alcançada, o próximo passo era tirar as fotos em São Paulo e mãos à obra! 
Ed e o Profº Léo Azevedo.

 

Montanha russa de emoções: do medo ao desespero – Parte I

São Paulo, 04 de outubro, 28°C.

Chegando a São Paulo, os planos foram se desmanchando aos poucos. Os dias seguintes na capital paulista seriam de muita chuva e tempo nublado, com temperaturas de até 12°C.

Rosana sentiu muita dificuldade sozinha pelas ruas de São Paulo em busca das fotos perfeitas, mas o tempo não estava ajudando muito e para completar, o bairro estava em reforma.

O quê fazer? Ela não tinha muitas opções, então colocou a sua máquina a tiracolo e passou a buscar os referenciais do nosso trabalho.

“Logo no primeiro dia, um domingo, visitei a Feira de Artesanato da Liberdade, estava 18°C e céu nublado, o que deixou algumas fotos “apagadas”.

No segundo dia a chuva não cedeu, o que impossibilitou a ida ao bairro. Momentos de desespero porque não sabia se o mau tempo iria continuar ou não nos próximos dias. Na terça-feira o tempo estava um pouco melhor. Foi o dia em que foram visitados alguns pontos já estudados nas pesquisas feitas antes da viagem. Neste dia foi constatado o que já sabia de antemão: os orientais não gostam de ser fotografados e são muito reservados.

Além do que a diferença cultural não existe apenas na cor da pele ou no formato dos olhos, se traduz, e muito, na decoração dos locais e na arquitetura e na grande variedade gastronômica.

Já na quarta-feira, em plenos 14°C e eu morrendo de frio, foi o dia de tentar tirar fotos que retratassem a religiosidade dos japoneses. A primeira tentativa foi o templo budista. Mesmo insistindo não foi possível neste dia. Era necessário conseguir a autorização da Diretoria da comunidade budista. Fui informada também que, no dia que eu voltaria para Salvador, teria um bazar beneficente, e, neste dia, seria a minha única e última chance de conseguir tirar uma foto que caracteriza a principal religião deste povo.

Enquanto o domingo não chegava, tentei em vão na quinta-feira achar outros pontos turísticos que me ajudassem na composição da exposição. Já estava ficando nervosa pois não estava conseguindo encontrar novidades e fotos que ficassem muito boas para a exposição. Pelo menos um ponto positivo: o sol começava a “dar as caras”. Fui então ao Museu da Imigração Japonesa, onde infelizmente não era permitido tirar fotos. Aproveitei também e passei na Biblioteca do Museu para pesquisar um pouco mais sobre a imigração e a cultura japonesas.

Na sexta-feira a filha da minha hospedeira, Pamella, foi comigo e com a colega dela, Sarah, para ajudar a tirar as fotos e também para fazer companhia. Detalhe elas faltaram aula para participar deste “passeio”.

Esse dia foi muito gratificante pois você passa a perceber o olhar dos outros que podem lhe dar uma outra perspectiva das coisas.

Já no sábado fui sozinha novamente tirar algumas fotos que não ficaram muito boas na primeira revelação, ou seja, fui refazer algumas fotos que, pelo copião não tinham ficado legais. Depois de refazê-las, voltei para casa com os termômetros marcando os lindos 20°C.

Já no domingo, e com a mala parcialmente arrumada, fui fazer o que seria a foto marcante da religiosidade. Como não obtive resposta de diretoria da comunidade budista, resolvi ir assim mesmo. Cheguei lá, visitei o bazar, tirei algumas fotos do artesanato deles, culinária e subi, vagarosamente, para o templo. Descalcei minhas sandálias e fiquei perplexa com o que vi. Era lindo. Com o altar central, um tambor logo à sua entrada, na esquerda, como se fosse anunciar a entrada de algum imperador.

Com a máquina em mãos, percebi que seria difícil tirar fotos ali dentro. Um dos budistas veio me perguntar o que eu estava fazendo lá. Expliquei toda a história e ele me disse que só seria possível tirar fotos com autorização. Implorei, chorei, mas não adiantou. Mas, como Deus é bom, ele me disse em um português embolado: ‘Tirar fotos não pode, mas, fica dando uma olhada por aí, nas coisas do templo’, concluiu e saiu me dando às costas e ficando em um local onde não dava para ver o que eu fazia.

Sorrateiramente, guardei a máquina analógica e escondi a digital no meu bolso. Tirei o flash e o som da câmera. E passei a tirar fotos escondidas de alguns objetos de lá. Arrisquei uma do altar, mas ficou tremida (pelo medo). Então, depois de muito embromar ali dentro, tirei rapidamente a câmera analógica da bolsa, pedi a Deus para congelar o tempo e bati a foto. Incrivelmente a foto ficou ótima: centralizada, focada no altar e bem enquadrada. Agradeci muito a Deus quando finalmente vi que na revelação ela tinha saído boa, porque eu temia que não tivesse ficado boa. Calcei minhas sandálias e fui embora. Feliz pela minha primeira façanha de reviver profissionalmente momentos como os da infância, de fazer as coisas às escondidas.

Depois disso, voltei pra casa, com a sensação de missão cumprida. Arrumei minha mala, fiz uma festinha surpresa aos meus hospedeiros, que completavam 25 anos de relacionamento e a véspera do aniversário de 15 anos da Pamella.

Peguei meu vôo, chorei na despedida e, principalmente, ao saber que eu estava indo embora mais uma vez da minha terra natal.”

Assim, foi encerrada mais uma etapa do nosso TCC. 

Rosana em SP

Montanha russa de emoções: do medo ao desespero – Parte II

Depois do retorno à Salvador e da revelação dos filmes, marcamos uma reunião com o nosso orientador a fim de mostrar os resultados obtidos na experiência em São Paulo. A reunião foi agendada de acordo com a disponibilidade do orientador, para a tarde de um domingo.

Na reunião o Profº Léo recomendou a realização urgente da parte escrita do trabalho e a realização das fotos na Liberdade de Salvador, que pudessem formar pares com as tiradas em São Paulo.

Sendo assim, antecipamos boa parte do trabalho escrito até recebermos a notícia de que o nosso orientador tinha pedido demissão. Atônitas com a notícia, ficamos desesperadas com o que poderíamos fazer sem um orientador a essa altura do campeonato.

Como o nosso TCC é totalmente prático e envolve certa experiência e olhar crítico do orientador para colaborar no processo, ficamos sem esperança de terminar o nosso projeto a tempo.

Daí a Coordenadora do Curso, Cristiane Paula, nos indicou outra professora que estava ensinando uma matéria semelhante para nos ajudar na orientação do projeto, a Josilene Melo.

Após uma agradável conversa, mostramos as fotos e a deixamos a par dos acontecimentos. Foi sugerido então enviar o material pronto até o fim da semana, 09/11, e após isso, a reunião para definir outros pontos. 

Montanha russa de emoções: a prática em Salvador – Parte III

Foram feitas três visitas para tirar fotos no bairro da Liberdade de Salvador. Sem contar as vezes em que fomos ao local para estudar o ambiente e conversar com os moradores.

Na primeira vez que visitamos o bairro, apesar de termos nos encontrado no Plano Inclinado, fomos direto para a Feira do Japão. Lá, tentamos através das fotos, mostrar o cotidiano do comércio. Os freqüentadores, vendedores, moradores, enfim o dia-a-dia local. Neste dia chovia muito, o que dificultou o trabalho, mas não o impossibilitou.

Enquanto uma tirava as fotos, outra segurava o guarda-chuva e a outra pedia para os pedestres um pouco de paciência para não atrapalhar na tiragem das fotos, como por exemplo, passar à frente da máquina. E assim se seguiu: trocávamos as posições e todas tiraram fotos.

Nesse intervalo, houve a oportunidade perfeita para nós fotografarmos as duas etnias juntas: o show do Kodo na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, com participação especial do Olodum. Eufóricas, fomos para o evento e tiramos fotos de momentos especiais das duas bandas, que através dos tambores encantaram os que ali estavam a prestigiar o espetáculo. Foi muito lindo! E ainda de quebra tiramos fotos com um dos participantes do grupo japonês. Detalhe: isso foi um feito conseguido com bastante dificuldade, pois como não falávamos a língua japonesa e era proibida a entrada no camarim, entramos e jeito foi usar gestos para pedir uma foto.

Como as fotos tiradas apenas da Feira do Japão não eram suficientes para retratar o bairro, fomos novamente tirar as fotos. Desta vez para encaixar (“casar”) com as tiradas em São Paulo. Nesta visita Rosana não foi porque ela havia ido para “Sampa”. Desta vez o sol estava a uns 35º. Andamos pela Avenida Lima e Silva, reparando em cada detalhe para fotografar, desde o Plano Inclinado até próximo à ladeira que leva ao bairro de São Caetano para tirar as fotos.

Tivemos algumas dificuldades, pois como éramos mulheres e sós em um bairro que não conhecíamos muito tivemos cautela com nosso material de trabalho, uma vez que os próprios moradores nos alertavam sobre a periculosidade do local.

Um ponto positivo para nós, que ao contrário do que Rosana encontrou em São Paulo, é que aqui o público não tinha receio de ser fotografado nem se escondia da câmera. A população do local é bem receptiva e alegre. Com relação à proibição de tirar fotos não tivemos problemas.

Queríamos tirar uma foto do alto da feira do Japão, mas as possibilidades não eram boas. Quando tivemos acesso percebemos que as grades dos prédios não nos davam bons ângulos. Resolvemos então pedir a uma moradora um lugar na laje dela e, gentilmente, ela nos cedeu.

Ficamos impressionadas com a gentileza do casal, que mesmo sem nos conhecer, nos deixou entrar e tirar as fotos.

A terceira visita foi a noite, quando agendamos com um terreiro local e tiramos fotos, tanto da fachada como internas. Também fotografamos a Associação cultural, para, assim, fecharmos os pares para a exposição. 

Celi e um integrante do Grupo Kodo

Momentos pré-exposição e finalmente a tão esperada Banca examinadora.

É chegado o momento em que vamos expor o trabalho que foi desenvolvido durante estes meses. Para isso temos que definir os acertos finais, agendar o espaço da exposição, fotos, convites, camisas entre outras coisas.

Ainda existem muitos passos a serem dados após o envio do material escrito. Já estão agendadas vários encontros para definir os últimos detalhes da exposição e do dia da apresentação para a banca. Última passagem da seleção final das fotos. Conseguimos ajudas importantes de amigos, auxílios imprescindíveis para o resultado final do trabalho. Isso faz com que cada componente do grupo sinta a normal ansiedade de ver colocado em prática tudo que foi elaborado no projeto experimental. 

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