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Justificativa

novembro 30, 2008

Não há como negar a contribuição cultural que estas etnias deram ao Brasil. Tamanha esta que nos remete à idéia de um país dentro de outro, bem como a força da perpetuação de tradição.

Duas culturas com histórias belas, ricas em tradições. Os negros, mesmo com toda o sofrimento sofrido com a escravidão e com o preconceito perpetuado até os dias atuais, conseguiram manter suas particularidades. Uma vitória com destaque mais que merecido na história brasileira.

O bairro da Liberdade de Salvador é de população basicamente afro-descendente. Local simples e de pessoas com pouco poder aquisitivo. Isso vem desde a chegada dos primeiros africanos ao Brasil, que tiveram que se adaptar à escravidão e aos novos costumes impostos a eles. Quando aqui chegaram, apesar de terem vindo do mesmo continente, falavam dialetos e línguas diferentes, fato este que dificultava a comunicação entre eles. Desta forma, aprenderam a falar o português com os gritos de seus capatazes, não só para entender os comandos, mas para a comunicação entre si.

E não foram poucas as adversidades sofridas por esses povos. Com a abolição, a comparação com meros homens de carga e fêmeas negras podem até ter acabado, contudo, a luta por respeito ainda perdura por esses 120 anos que já se passaram.

Ao longo desse período, a história dos negros além de muitas personalidades fortes e de valor para a luta por liberdade, a exemplo o Zumbi dos Palmares, que mostrou a força desse povo, que conseguiu superar a dor e vencer. Adaptar-se sim, mas não perder a raiz. Bem como os japoneses que chegaram ao Brasil em busca de uma vida melhor. Que trouxeram consigo na bagagem a esperança de dias melhores.

De acordo com Darcy Ribeiro em O povo brasileiro (2001), os primeiros imigrantes japoneses começaram a chegar ao Brasil timidamente, por volta de 1901, com crescimento gradativo da população. No período do presidente Getúlio Vargas, chegaram até a ser retaliados devido ao fato do Japão fazer parte dos países do eixo, juntamente com a Alemanha e a Itália. Tiveram que trabalhar duro para sobreviverem e, aos poucos, foram se mudando para a capital paulista. Com pouco dinheiro, a solução era morar em locais baratos, como o caso do bairro da Liberdade de São Paulo, que era composto basicamente por galpões com preços baixíssimos.

Para manter as raízes, foram sendo criadas associações, escolas e cinemas, que exibiam filmes em japonês, com o intuito de não perderem os costumes, mesmo estando em um país totalmente diferente de onde eles vieram. Logo o comércio cresceu, as ruas foram criando características próprias, e não demorou muito para o bairro da Liberdade de São Paulo se tornar um país dentro de outro. Hoje parada obrigatória para quem visita a cidade.      

A intenção deste trabalho é fazer um resgate histórico dessas diferentes culturas (japonesa e africana), e mostrar o resultado dessa aculturação, de forma que desperte no observador uma reflexão quanto à evolução dos dois povos nestes locais, mantendo as raízes dos seus países de origem.

Desta forma, ficou resolvido revelar, por meio de fotos, a forma como são tratadas e passadas aos descendentes as culturas de origem, bem como colocar em prática a teoria etnográfica. Esta propõe que o jornalista saia de sua cultura e viva em outra, como observador e não como um crítico, respeitando-a e interagindo com os personagens.